quarta-feira, maio 11, 2005

Dissertações liberais

Porque é que, qualquer funcionário que trabalhe 12 meses, recebe 14, sendo parte dos dois meses extra pago por outros? Porque é que, alguém que esteja há 2 meses numa empresa, não tem direito ao subsídio de férias (ou de natal) relativo a esse ano?

Primeiro que tudo: qualquer coisa cuja denominação se assemelhe, sequer, à palavra subsídio, é negativa.

Segundo, os subsídios de férias e de natal são incentivos ao consumo irracional. São atribuídos com o objectivo de as pessoas irem comprar presentes de natal, ou para irem gastar nas suas férias (que, normalmente, até são pagas a crédito).

Além disso, o facto de apenas se receber esses salários extra, ao cumprir um ano de contrato, deixa em pé-de-desigualdade trabalhadores dentro de uma mesma empresa. Um mesmo serviço, é pago com valores diferentes. E, é, portanto, um factor que desincentiva à mobilidade dentro do mercado de emprego.

Portanto, a extinção desses subsídios permitiría uma subida dos salários mensais, e isso levaria a uma melhor gestão das finanças familiares. Teria também a vantagem de equilibrar o pagamento de iguais serviços, o que seria uma vantagem. Não é possível criar uma economia de mercado e continuar com estas panaceias socialistas, que são contra um emprego para um "bocado da vida".


PS: Hoje fui a uma das papelarias comerciais da minha faculdade na tentativa de comprar folhas quadriculadas. No entanto, quando cheguei lá, informaram-me de que a venda de folhas era exclusiva da Associação de Estudantes, porque a universidade assim o exigia. Então, lá tive que me dirigir à papelaria da AE, 3 edifícios ao lado. Quando cheguei lá, não havia folhas, porque o stock não tinha sido reposto. Passados 10 minutos de ter iniciado a procura, estava na sala de aula a escrever em folhas de rascunho.
São as maravilhas do proteccionismo...

segunda-feira, abril 25, 2005

Serviço Público vs Emprego público

Ultimamente, a avaliar por muitos discursos feitos, tanto por militantes do PS, como pela sua oposição à direita, a importância de diminuir o número de funcionários públicos atingiu, aparentemente, um consenso considerável, e parece que virá a ser um facto consumado a curto-médio prazo.

Têm se dito maravilhas desta acção de redução do estado, tentando disfarçadamente dizer que a função pública funciona tão mal, que em quanto menos assuntos estiver metida, em menos sarilhos nos metemos, e menos dinheiro é literalmente deitado ao lixo.
Embora esta medida seja altamente benéfica para o desprendimento da economia, não resolve nenhum problema interno da função pública, só diminuirá a relevância da sua constante ineficácia.

Existe em Portugal,tal como na maioria da Europa, um desejo generalizado de que o estado tem a obrigação de prestar uma série de serviços, em alternativa aos privados, como saúde, segurança, educação, equilíbrio social e outros menos relevantes.
Mas parece-me que no nosso país esta lógica foi bastante distorcida: a prioridade não é a prestação de serviços de qualidade pelo estado aos contribuintes mas sim a existência de empregos totalmente estáveis, que supostamente prestam esses serviços.
Poucos funcionários públicos têm um mínimo de incentivo à produtividade, a satisfação do cliente/utente pouco lhes importa, porque daí não advém nenhuma consequência para eles, e para o seu salário. Este vício criou raízes e agora, qualquer tentativa de criar um maior dinamismo na função pública que incentive um "bom trabalho", terá a maior das resistências pelos funcionários instalados, que acaba sempre por ter um enorme repercussão através dos sindicatos, do BE e do PCP.

Por muito que se diminua a função pública (e uma vez que também ninguém a vai extinguir), é preciso também mudá-la, é preciso que que quem lá trabalhe sinta que o seu bom desempenho seja compensatório.

domingo, abril 17, 2005

Eu pedi que alguém me representasse?

Depois de vários anos a ver Jorge Sampaio percorrer o mundo, muitas vezes, dissertando a líderes internacionais a suposta opinião representativa de todo Portugal, sinto uma certa aversão ao homem, por eu ser português e não me sentir representado por ele, e ainda assim, ser com toda a naturalidade que gasta dinheiros públicos para ir à China minorar o papel dos direitos humanos, que empresta um Falcon a D. José Policarpo, ou que vai a França fazer campanha no referendo sobre a constituição europeia.

Mas a minha aversão vai para além do Sr. Presidente, é a própria existência do cargo que considero fazer pouco sentido. Com certeza que haverá muita gente a gostar da actuação do Sampaio, e como tal, se sentem legitimamente representadas por ele (até porque ganhou umas eleições), pois então que represente essas pessoas e seja financiado por elas. Será o presidente do "grupo de pessoas associadas às ideias x e aos interesses y".

Com a tendência actual da globalização e da difusão cultural, os países estão a perder muita da sua identidade, e cada vez menos se pode considerar (principalmente na Europa), que se pode associar toda a população de um país a certas "ideias x" ou "interesses y", e por tanto é cada vez mais paradoxal o conceito de representante de um país.

Neste momento, se no nosso país, todo o tipo de representantes do que quer que seja fosse exclusivamente criado pela iniciativa dos interessados, para além de não haver espaço para um "representante de Portugal", os interesses gerais da população estariam bastante melhor defendidos, em áreas diferentes por diferentes grupos de pessoas.
Esta realidade já constitui um facto em vários campos, mas a existência de grupos de interesses essencialmente financiados pelo estado e de um Presidente da República faz com que ainda se possa continuar a actuar em nome de quem não lhes interessa.

sábado, abril 16, 2005

Vive l'Europe!

Quando, no outro dia, me perguntaram se a Europa seria, algum dia, a grande potência mundial, comecei a pensar no que seria necessário alterar para que isso pudesse acontecer. E, acabei por concluir, que os grandes males europeus estão em França! A França é, neste momento, apenas um desestabilizador interno, que, com as suas estratégias e visões para a Europa quer apenas criar uma economia baseada no estado, estagnada, e uma Europa à visão de um qualquer militante do BE ou de qualquer chefe sindical.

Chirac tem sido o presidente que tem impedido a Europa de se tornar um mercado verdadeiramente aberto, dinâmico e concorrêncial. Isso devido às cedências internas aos socialistas e aos "cheese-eaters" todos. Chirac é, em tudo, semelhante a António Guterres, mas com mais poder. Cede a todos os lobbys; tem uma visão politicamente correcta, e não real, dos problemas; acredita que o caminho da Europa é o socialismo, quando mais ninguém acredita nisso, por vários exemplos óbvios. Já nem Sócrates, Zapatero ou Blair (todos socialistas) têm uma visão tão conservadora do mundo como Chirac tem.

Adicionado a isso, Chirac continua com o complexo típico de qualquer francês de que o seu país ainda tem um lugar relevante no mundo, e que toda a gente tem que reconhecer isso. Já há vários séculos que, na Europa, os ingleses eram os que faziam, e o franceses eram os que ficavam em casa a auto-vangloriar-se. Neste momento continuamos a ver a França a mostrar o seu anti-americanismo com o único intuito de esconder que o seu país é pior que os EUA. Há cerca de duas semanas, após a divulgação de um estudo que dizia que mais de 70% dos estudantes franceses utilizavam o google.com para fazer pesquisas, Chirac reagiu dizendo que era necessário criar um motor de busca concorrente, de origem francesa.

A França é, neste momento, um país ridículo, com líderes ridículos, que não têm consciência de que já não são importantes em sítio nenhum devido ao descrédito que ganharam nos últimos anos. Quem está a sofrer com isso, é a União Europeia que tem que aguentar um país que quer um projecto europeu centrado em Estrasburgo e cujo único objectivo é arranjar apoiantes para a França.
A economia da UE está a sofrer porque, questões como a liberalização dos serviços foi boicotada pela França. A visão da Europa está a sofrer porque a França é anti-europeísta, mas quer ser o seu elemento principal. Está na altura de dizer que já chega, e que a UE não precisa da França. Precisa sim de países dispostos a trabalhar para a construção europeia e que estejam dispostos a lutar para ganhar um lugar dentro da UE, não ter um lugar honorário.

Só quando a UE expulsar a França, após o "não" no seu referendo (de motivações xenófobas e não devido à estrutra da constituição) e puder começar uma UE com países com vontade de pertencer à UE, como os novos países de leste, que serão o grande motor futuro da economia da comunidade, devido às suas ideias liberais de emprego, poderemos evoluir e passar a ter uma importância real no mundo. Só a partir dessa altura fará sentido haver um ministro dos negócios extrangeiros europeu com poder para tomar verdadeiras decisões. Enquanto isso não acontecer, vamos ficar colados ao anti-atlântismo Chiraquiano que continuará a apoiar regimes anti-democráticos e que continuará a querer vender armas à China ou opor-se à guerra no Iraque porque queria comprar petróleo mais barato que os americanos, ou que continuará a chatear-se porque muitos europeus vêm CNN.

domingo, abril 10, 2005

A obcessão pelo não-conhecimento

Porque a religião ficou na moda, e até conseguiu reanimar um pouco este blog, gostaria também de expressar a minha opinião neste assunto.

Em primeiro lugar gostaria de reconhecer que qualquer religião pode acreditar em seja o que for, fazer e dizer seja o que for, desde que qualquer pessoa só seja afectada se deliberadamente o quiser.
Considero que todas as religiões podem expressar legitimamente a sua opinião relativamente ao assunto que quiserem, nomeadamente política, ciência, sociedade, etc, em qualquer país em que a educação laica e a informação possa ser assegurada a toda a população. Acontece que na generalidade dos restantes países as religiões acabam por ter um papel criminoso e de obstáculo ao desenvolvimento, das quais o islão é o caso mais flagrante, mas longe de ser o único.
No entanto a neutralidade de um estado em relação às instituições não pode ser só para a parte que neste momento lhes é benéfica, e portanto nenhuma religião deveria ter um estatuto diferente de qualquer instituição, e estas das empresas. Assim a religião deveria subsistir apenas com o trabalho, o dinheiro ou outro tipo de ajuda por parte das pessoas interessadas.

Dito isto, convém dizer que eu também devo ter toda a legitimidade para dizer a minha opinião sobre o que eu quiser, inclusivamente sobre o que pensa a instituição religiosa que mais influência tem onde vivo, a igreja católica.
Para mim é um sinal de ignorância e de fraqueza muitos católicos adoptarem a opinião da igreja, e esta a do Papa, simplesmente porque é o Papa, por fé. Aliás a fé por si só é irracional, é não pensante e é preguiçosa, e a meu ver isso é mau.
A igreja católica, como na maior parte da sua história gozou de uma enorme influência na sociedade, para a manter, sempre optou por uma opinião conservadora, adversa à mudança, com o medo de perder o seu poderio. Actualmente, as opiniões da igreja sobre genética, aborto, posição da mulher e orientação sexual reflectem isso mesmo: não mudar!
Esta igreja já surgiu há muito tempo, e portanto, a altura em que foi fundada e em que começaram a surgir as suas ideias em nada se parecia com a realidade actual, e como em qualquer religião, essas ideias eram tidas como verdades inquestionáveis (fé). Mas com o evoluir do tempo surgiu a ciência, a sociedade foi mudando, e as verdades inquestionáveis, adaptadas especialmente a uma época ultrapassada foram postas em causa. A igreja viu-se, pela força da opinião generalizada a esquecer alguns dos seus dogmas (mas sempre com uma resistência hercúlea), resumindo-se hoje a uma diminuida lista de verdades, com tendência para encolher. A influência religiosa tornou-se inversamente proporcional ao desenvolvimento.

sábado, abril 09, 2005

Devia haver um papa neoliberal! (complemento)

O meu post anterior gerou uma grande polémica e recebi vários ataques por causa dele. O mais comum teve a vêr com o facto de eu escrever sem justificar as minhas afirmações. Portanto, para limpar a minha honra, estive a fazer uma pesquisa online. Deixo alguns factos e alguns sites para quem os quiser consultar.

O caso dos padres pedófilos: Vaticano esconde casos de abuso sexual há 40 anos, diz TV

Idem: Vaticano quis abafar escândalos de pedofilia, sugere documento

Grupos de ajuda humanitária em Aceh a converter pessoas em troca de comida: Religious groups are exploiting Aceh chaos

O mesmo, mas na Índia: Villagers furious with Christian Missionaries

Algumas frases de responsáveis do Vaticano em relação aos judeus(via diário ateísta):

«The descendents of those who hated Jesus, who condemned him to death, who crucified him and immediately persecuted his pupils, are guilty of greater excesses that those of their forefathers .... Satan helped them invent Socialism and Communism .... The movement for freeing the world from the Jews is a movement for the renaissance of human dignity. The Almighty and All-wise God is behind this movement.»
Padre Franjo Kralik «Why are the Jews Being Persecuted» artigo na Acção Católica croata, Maio de 1941.


"God, who directs the destiny of nations and controls the hearts of Kings, has given us Ante Pavelic and moved the leader of a friendly and allied people, Adolf Hitler, to use his victorious troops to disperse our oppressors... Glory be to God, our gratitude to Adolf Hitler and loyalty to our Poglavnik [fuhrer], Ante Pavelic." Carta Pastoral de 1941 do Arcebispo de Zagreb Aloysius Stepinac, beatificado pelo Papa João Paulo II em 1998.

Já agora, deixo só mais uma menção em relação ao porquê de eu achar que o papa deixou a igreja atrasada (Familiaris Consortio (November 22, 1981)
):
"A mulher e a sociedade (...)
Não há dúvida que a igual dignidade e responsabilidade do homem e da mulher justificam plenamente o acesso da mulher às tarefas públicas. Por outro lado, a verdadeira promoção da mulher exige também que seja claramente reconhecido o valor da sua função materna e familiar em confronto com todas as outras tarefas públicas e com todas as outras profissões. (...)
Portanto a Igreja pode e deve ajudar a sociedade actual pedindo insistentemente que seja reconhecido por todos e honrado no seu insubstituível valor o trabalho da mulher em casa.(...)
Se há que reconhecer às mulheres, como aos homens, o direito de ascender às diversas tarefas públicas, a sociedade deve estruturar-se, contudo, de maneira tal que as esposas e as mães não sejam de facto constrangidas a trabalhar fora de casa..."

Novamente o papa:Ecclesia in Europa (June 28, 2003)
Para favorecer a plena participação da mulher na vida e missão da Igreja, como foi sublinhado no Sínodo, é desejável que os seus dotes sejam mais intensamente valorizados nomeadamente pela assunção das funções eclesiais reservadas por direito aos leigos. Há-de ser valorizada adequadamente também a missão da mulher como esposa e mãe e a sua dedicação à vida familiar.

Isto encontrei em apenas 1 hora de buscas na internet. Também descobri que JPII beatificou o papa Pio XII, que apoiou o regime nazi.

Deixo estes documentos, quem quiser saber mais, pode procurar no google. Agradeço a colaboração de todos os que me mandaram mensagens e deixaram comentários.

PS: aproveito para explicitar que entendo terrorismo como "actos de violência calculada de carácter físico ou psicológico, praticados alegadamente por razões políticas, ou económicas, ou religiosas (…) e cuja finalidade é estabelecer através do terror e do seu impacto psicológico um clima de terror e de medo".

domingo, abril 03, 2005

Devia haver um papa neoliberal!

A blogosfera é o único espaço realmente livre e que representa todas as opiniões? Nos últimos 4 ou 5 dias em todos os canais só se viu gente a dizer bem do papa, e a realçar a importância que este teve na história mundial. A questão é que o papa não fez mais que o que qualquer pessoa no seu lugar conseguiria fazer; fez menos!
A sua luta contra o comunismo e todos os seus apelos contra a pobreza e a favor da igualdade eram apenas a sua obrigação. Francisco Loução, se tivesse a mesma visibilidade que o papa, faria mais pela paz no mundo!

Além disso, há que falar da parte má, que tem sido omitida/minorada por toda a gente. Karol Wojtila apelou à condenação do capitalismo, lutou pela diferença entre homem e mulher, teve visões discutíveis em relação ao aborto e eutanásia. E, o pior de tudo, foi o facto de a sua igreja ter defendido a não utilização de vários contraceptivos que permitiriam a menor propagação da SIDA e outras doenças, o que teve como consequência vários problemas demográficos, principalmente em África. Além disso, houve vários casos de pedofilia nunca absolutamente condenados (e, até, apoiados internamente) de vários padres no mundo todo.
O papa também não conseguiu fazer a igreja evoluir, tendo-a mantido como uma instituição cujo único objectivo é manter-se e enganar pessoas conseguindo obter o máximo de lucro e proveito, e, em temas que lhe interessa, funcionar como grupo de pressão.
A igreja é (como são a maioria das religiões), neste momento (e desde que apareceu), um factor negativo e nocivo para vários milhares de pessoas, e ajuda ainda ao atraso da evolução mundial.

Este papa foi um mau papa no presente e será um mau papa no futuro, porque não permitiu que a igreja se modificasse, e evoluísse após a sua morte. Ao contrário da morte do terrorista Arafat, que foi um bom sinal, porque houve uma evolução posterior à sua morte; no caso da morte deste terrorista (que permitiu que vários milhares de pessoas tenham morrido e que muitas ainda vão morrer e viver em condições miseráveis), a esperança de uma melhoria é bastante pequena, também devido à pouca evolução interna que Wojtyla permitiu.