Terça-feira, Novembro 30, 2004

PS (CRISE 3)

A questão que mais me preocupa, e está acima da discussão teórica sobre o "devia","não devia","mas podia"..., é a parte pragmática da questão. Se as coisas correrem como se supõe (tendo em conta o que se diz), teremos um governo dirigido por José Socrátes. Isso representa mais quatro anos de política guterrista. Ainda não recuperámos do que AG fez, e já voltamos às políticas despesistas, à privatização de tudo, à distribuição de subsídios, às decisões feitas em função de quem grita mais. Isso poderá ter consequências ainda piores que as de há 3 anos, porque, neste caso, a situação inicial é um bocado pior que a deixada por Cavaco.

Além da questão das políticas, há a questão que se refere aos ministros: teremos como ministros Fernando Gomes, Maria Carrilho, Armando Vara, Jorge Coelho, António Cravinho, Vital Moreira, Ana Gomes, Paulo Pedroso... Qualquer um destes nomes pertencer aos quadros do PS deveria ser suficiente para Sampaio impedir que este formasse governo.

Mas, na pior das hipóteses, emigro!

Pedro Santana Lopes (CRISE 2)

O bebé tantos estalos levou, que morreu! Mas era demasiado prematuro, não era provável que sobrevivesse... De qualquer maneira, com tantos estalos, se calhar esses estalos tinham algum fundamento.

PSL já tinha alguns adversários antes de começar a trabalhar mas, à medida que ia tentando fazer alguma coisa, ia-lhes dando argumentos. O caso de Marcelo, o caso de Henrique Chaves, o caso Teresa Caeiro, a colocação dos professores, o congresso do PSD, o orçamento... tudo corria mal! Ainda por cima, quanto mais ele falava, pior a coisa lhe corria.

Santana não tinha estratégia, cedia a pressões, tinha um núcleo de ministros intocáveis. Dificilmente iria funcionar! Mas ainda era muito cedo para avaliar as acções (e não as palavras) de PSL.

No entanto, isto pode ter sido um factor positivo para o PSD. É nesta altura que o partido tem que fazer um congresso para eleger uma nova direcção. Foi uma vergonha a pressão que PSL fez dentro do partido e na imprensa para ser dado como único possível sucessor de Durão e, apesar de atrasada, pode ser dada a voz aos militantes do PSD (não como aconteceu neste congresso em que Santana nunca poderia perder).

PSL, apesar de ser conhecido como um papa-eleições, nas próximas perderá. Portanto, é importante que o PSD altere a sua estratégia, se demarque do que aconteceu até agora, e concorra sozinho às próximas eleições. Só assim pode ter uma possibilidade de vitória nas legislativas e, no fim do ano, nas autárquicas.

Jorge Sampaio (CRISE 1)

Bom... há quem diga que era inevitável, há quem diga que já sabia, há quem diga que estava mesmo a vêr... A verdade é que o governo de PSL acumulava erros e situações (muitas vezes exageradas na imprensa) que deram esta possibilidade a Sampaio.

Independentemente de a situação o justificar, é absurdo considerar que há estabilidade, e, passados 4 meses, já não a há. O presidente não pode basear as suas decisões na opinião da imprensa ou na de notáveis. Este presidente já o era há 4 anos quando Guterres se passeava por S. Bento e tomava decisões inacreditáveis, passado uma semana a mudava, porque alguém reclamava e, a seguir, dava um subsídio a quem tinha reclamado. A diferença entre as duas situações são o apoio que o socialmente correcto "guterrista" tinha na imprensa, e a imagem de Santana Lopes como um "playboy lisboeta". A imprensa nunca permitiria que Santana fosse um bom primeiro-ministro e, mesmo que o fosse, eles certificar-se-iam de que as pessoas achassem o contrário. Guterres criou uma situação muito pior para Portugal (já não vale a pena explicar porquê) que a que Santana alguma vez criaria, sempre com a complacência deste presidente.

Ou seja, Sampaio não se decidiu a convocar eleições quando Durão foi embora porque lhe criava uma situação difícil. Agora sentiu-se pressionado, convocou eleições. Se, daqui a dois meses, a opinião dos especialistas e jornalistas for contrária, Sampaio tentará invalidar a dissolução. Ele não consegue tomar qualquer tipo de decisão; refugia-se sempre em qualquer promenor (normalmente a estabilidade) para nunca poder ser acusado de seja lá o que for.

Santana não era um bom primeiro-ministro, Rui Gomes da Silva era um péssimo ministro, mas Sampaio é ainda pior como presidente da República.

Será que (hipoteticamente falando (muito hipoteticamente!)) se Santana ganhar as eleições, Sampaio se demite, em nome da estabilidade?

Sem alternativas

Aconteceu o inevitável. Um governo que toma posse no limiar da legitimidade, sob a responsabilidade da promessa de estabilidade e de continuidade, tendo por tanto de ter um empenho redobrado no cumprimento das suas funções.
Porém, na prática não foi bem assim, começaram a acontecer coisas que nunca aconteceram no governo de Durão Barroso e que deram uma imagem diferente do governo e do próprio PSD. Nasceu uma oposição a acção de Santana Lopes proveniente do próprio partido, a descoordenação entre os vários ministros, nomeações suspeitas, e o "caso Marcelo" foram algumas das novidades que deixaram, pelo menos a mim, estarrecido.
No entanto, este não é um acontecimento com o qual eu rejubile, parece-me que vamos ter um governo PS com a pressão de romper com a austeridade orçamental, de acabar com os "males" das privatizações e de distribuir solidariedade pelo povo, através do (re)aumento da função pública como forma de combate ao desemprego. Por outro lado, temos um PSD (o oficial) que não parece duvidar das qualidades do anterior 1º ministro e da sua forma de agir e só irá cair na realidade depois da mais que provável esmagadora derrota eleições.

Sábado, Novembro 27, 2004

Eu ainda sou do tempo...

Há cerca 2 anos (se a memória não me atraiçoa) comecei a ouvir falar de um novo partido que tinha como figura mais conhecida Manuel Monteiro. As ideias para a nova formação eram várias, mas ainda era semi-secreto; "...espera e depois vês..."; "...já não deve faltar muito..." dizia-me um amigo. Sempre que falava com ele, a minha expectactiva aumentava... ia aparecer o partido que ia mudar; o partido que eu achava que ia defender novas ideias, se ia posicionar fora do bloco central (talvez até fora de qualquer padrão político existente em Portugal). Eu acreditava nisso, muita gente acreditava nisso...

Acabadas de preencher as burocracias para a fundação do partido, finalmente se soube o nome: "Partido Nova Democracia" (não pôde sêr só "Nova Democracia" porque a sigla era demasiado semelhante à do desconhecido "Movimento do Doente"). Aí estava mais um factor positivo para este partido! Vinha aí uma democracia nova?
Também nessa altura se soube que a sua sede seria no Porto. (Sim, vinha aí mesmo uma democracia nova!).

No entanto, volvido o período de excitação e de esperança que se atribui sempre que se acredita que a mudança afinal é possível, começaram a aparecer as críticas. Os jornais falavam, as pessoas falavam, os meus amigos falavam... "A Nova Democracia é o partido dos rejeitados do PP."; "O PND foi a maneira que o Monteiro arranjou para ter poder."; "O Monteiro até é boa pessoa, mas ele só quer ser presidente seja lá do que for."; "Perdeu com o Portas, amuou, foi ser presidente de outra coisa qualquer...".
Apesar de tudo o que ia ouvindo, eu ia sempre dizendo que isso não era verdade; eles só precisavam de tempo; estavam com trabalho, não era fácil... Eu acreditava que, pela altura das eleições europeias o partido iria aparecer, apresentar as suas ideias e mostrar porque é que eram melhores (já só faltavam uns meses...).
Quando me pediam a opinião eu dizia sempre: "...as pessoas não conhecem o partido; ninguém sabe quais são as ideias dele. Ahhh, e o PND não pode estar associado só ao Monteiro. É sempre ele que aparece! É só ele que aparece!". E, normalmente ouvia um "Achas? Se calhar tens razão.".

Chegou o momento das eleições...apareceu o Monteiro, ainda defendeu umas ideias contra o presidente, mas, afinal "não era bem isso que queria dizer...". O partido teve uma derrota gigante, ficando atrás de formações partidárias bastante menores.

Desde então, a prioridade têm sido as eleições autárquicas. Mas, infelizmente, o PND só tem um candidato; e é o mesmo para Lisboa e Porto!(ainda vai decidir...). Tem sido neste ambito que Manuel Monteiro se tem desdobrado em aparições sem sentido ao estilo de qualquer militante do Bloco de Esquerda. Ataca indiscriminadamente a autarquia do Porto (onde até estão alguns (ex-?)simpatizantes seus); ataca o governo seja por que razão fôr; faz visitas aos bairros, lojas, ruas, onde liberta "bacoradas" que nos lembram Teixeira Lopes, Alda Macedo ou Ana Drago.
Esta demagogia e obsessão em conseguir aparecer num jornal descredibiliza-o por completo e, ainda pior, descredibiliza o partido em que eu acreditava. Monteiro está quase a chegar aos níveis das três figuras a que me referia num "post" passado (nomeadamente Sousa Tavares, Moore e Soares). Neste momento, só Dina Aguiar (o Luís Delgado do PND) acredita neste projecto e neste presidente.

É chegada a altura, portanto, de os militantes do PND decidirem. Ou abandonam o partido, assumindo, portanto, que aquilo é um "one-man-show" ou tomam uma decisão que pode fazer a diferença e alterar o rumo do partido (em termos ideológicos e eleitorais, até).
Espero que quem lêr este post não veja a minha opinião como uma ingerência nos problemas do partido, mas como um "conselho de amigo". Eu acho que o está na altura de os militantes do PND (sejam lá quantos forem) demitirem o seu presidente e elegerem nova direcção. É preciso afastar Monteiro da presidência e assumir uma identidade para o partido. É preciso assumir que existem ideias e estratégias para o país, realmente diferentes. É preciso mostrar que é possível destruir o sistema. É preciso voltar aquele tempo em que eu acreditava no projecto. É preciso!!!!!!!!


PS: quaisquer críticas que eu faço, tanto neste post, como nos vários posts, são puramente políticas e ideológicas; nunca pessoais. Espero nunca me chatear com ninguém devido a divergência de opiniões.

Quinta-feira, Novembro 25, 2004

"Para alguma coisa ele deve ter jeito"

No dia seguinte à "Grande Entrevista", onde Santana Lopes afirmou que estava contente com o seu governo, eis que foi feita uma remodelação surpresa nesse mesmo governo com um objectivo claro: prevenir que Rui Gomes da Silva continue a afundá-lo e a distribuir gratuitamente argumentos à oposição para descridibilizà-lo. O 1º ministro decidiu então (e pelo que se diz agora pressionado pelo Presidente da República) arrancar o problema pela raiz, retirando as funções de ministro dos assuntos parlamentares a Gomes da Silva, no entanto, conseguiu ter o camaradismo de lhe dar outra oportunidade num cargo de menor relevo (ministro adjunto), que lhe dê menos hipóteses de estragar ainda mais a reputação do seu governo.
Esta compaixão, provavelmente motivada pela falta de personalidades de relevo interessadas em se associar a este governo ( o Luís Filipe Meneses não conta), é um exemplo da sua mediocridade e de que os "amigos do Santana" podem estar à vontade pois há de haver algum cargo, seja qual for, que lhes sirva.

Segunda-feira, Novembro 22, 2004

Perestroika

Nos últimos dias tenho estado a ler um livro escrito por Gorbatchev dois anos e meio após o início do seu programa para a sociedade russa. Defendendo os seus argumentos com frases de Lenine, Gorbatchev dá-nos a sua visão da utopia socialista, que, segundo ele, irrompia em vários pontos do mundo, como uma revolução sem retorno. Em 1987 (dois anos antes da queda do Muro de Berlim) ainda se vivia sobre a ameaça de uma guerra nuclear, fomentada por ambos os lados da cortina, que sustentava toda a industria de armamento polarizando ainda mais os investimentos. Gorbatchev queixa-se da exploração feita pelo lado capitalista do mundo e apresenta o socialismo como a possibilidade de fuga dos problemas das sociedades, em geral, podendo este ser moldado em função das especificidades de cada um.
As ideias sociais de Gorbatchev são apelativas e simpáticas, apresentadas carismaticamente e tendo sempre os EUA como inimigos do povo. Apesar disso, ele defende que as reformas se teriam que se basear no povo (pelo povo, para o povo) e que, para serem reformas consolidadas teriam que ter o apoio verdadeiro deste e, portanto, que uma reforma seria tão abrangente quanto o for a democracia. Este terá sido o seu grande erro, que mais tarde viria a acabar com a união soviética e com o socialismo puro.

Lendo este livro quase 20 anos depois de ele ter sido escrito existem alguns problemas que se mantêm e outros que tiveram desenrolares mais ou menos esperados. Entre os problemas da época destacavam-se (ou eram destacados por MG) a discrepância
entre o nível de vida do terceiro mundo e o mundo ocidental; a dívida externa dos países em desenvolvimento; a guerra no Afeganistão (Gorbatchev alegava que os EUA queriam tomar conta da península); a decadência da ONU e o seu fim anunciado; a ingerência dos EUA em todo o mundo para não permitir que os outros países se desenvolvessem...

Mas, a questão mais marcante de todo o livro é a crença de que o socialismo é, não só o sistema mais justo, mas também o mais eficaz. Ao longo de todo o livro multiplicam-se as frases que defendem que "...qualquer dia o ocidente verá qual o sistema que sobreviveu..."; "...o melhor juiz para decidir quem é mais eficaz é a história..."; "...só a história nos dará razão..."; "...no fim verêmos qual é o melhor...". Esta radicalidade, quando analisada após a queda do muro, o fim da URSS e o desenrolar dos processos políticos nos países que daí resultaram e dos países nessa altura socialistas, terá uma interpretação bastante diferente da que lhe terá sido conferida na altura. Eu leio este livro como um livro de museu, uma recordação, uma curiosidade. A história mostrou-nos quem subsistiu, e não foi o socialismo.
Suponho que, se algum dia mandar uma carta a Gorbatchev, a sua resposta seja que o socialismo não falhou; ele ainda existe nos trabalhadores, deu às pessoas o direito da reinvidacação, o direito à greve e, talvez, acabaria por defender que o socialismo ainda está a ganhar. No entanto, não acredito que assim seja. A maneira como MG defende que iriamos descobrir quem era melhor é agora uma arma de arremesso contra a sua teoria.

Este programa podia não ser perfeito, mas era um bom programa, que tinha em conta a economia, o socialismo, o desenvolvimento a longo prazo (são-nos apresentados objectivos até ao ano 2000), mas desabou. Mas o que falhou? Suponho que falhou no facto de se basear nas pessoas. A Perestroika baseava-se na criação de várias escadas na sociedade em que, entre cada cidadão e o presidente haveria uma linha de interlocutores, que se representariam sequencialmente. No entanto, isto pressopunha que não poderia haver elementos fracos na cadeia. Isso, como sabemos, funciona em teoria, nos livros e nos discursos da esquerda mas, já nem Fidel Castro acredita nisso. Obviamente, que a revolução baseada no povo acabou como sendo a revolução para o povo (cada um fazia a revolução para si próprio). Assim como a revolução do 25 de Abril, em Portugal não foi uma revolução para o povo (foi para os militares e, mais tarde, para o PCP); assim como a revolução cubana não foi para o povo; assim como é raro encontrar (em qualquer momento ou lugar históricos) revoluções feitas para todos.

Esta questão, abordada no último parágrafo, traz-nos até à sociedade europeia actual, e até todos os militantes da Internacional Socialista. A esquerda ainda acredita que a revolução vai vingar e que ela é possível. A discussão esquerda/direita nunca poderá ter um consenso, porque ela é feita a níveis diferentes. A Perestroika dá livros mais bonitos que o Capitalismo, mas a primeira não funciona! Obviamente, que se alguém me diz "eu sou contra o desemprego, e acho que as pessoas deviam ser aumentadas em 1000%"...eu também sou, mas isso não é exequível. As ideias do BE serão sempre melhores que as do PSD, as ideias do BE serão sempre mais bonitas e mais "amigas" que as do PSD. Mas nunca funcionarão. A direita não pode permitir que a discussão seja feita ao nível teórico porque aí nunca ganhará. A direita tem que basear a discussão ao nível do pragmatismo porque é aí que pode mostrar que ganha.

Os EUA chegaram a essa conclusão há muito tempo mas, naturalmente, são acusados de ser responsáveis por várias injustiças e vergonhas. A sua sociedade não funciona tão bem nos media europeus, os sindicatos não têm o mesmo poder que cá, o sistema de saúde não é público,a educação privada representa uma grande percentagem so sistema educacional, o sistema político é menos controlado. No entanto, os trabalhadores deles têm mais direitos, o serviço de saúde é melhor, a educação é melhor, a representatividade da opinião é maior... Naturalmente, qualquer filósofo ou intelectual europeu quando analisa os sistema americano clama que é imoral, não protege os direitos fundamentais. MAS AS PESSOAS VIVEM MELHOR QUE NA EUROPA SOCIALISTA!

É importante que a direita, principalmente a direita liberal, consiga centrar a discussão nas ideias, e não nos programas, e que não se cole aos media e aos preconceitos da esquerda. Bush ganhou com ideias e actos, não ganhou com "flores vocabulares". As pessoas não querem saber de quem fala melhor, querem é comida no prato, no fim do mês.

O capitalismo funciona, o socialismo não. Nós sabemos; a história mostrou-nos...

Mais uns títulos de jornal

Terça-feira, 23 de Novembro, 22:15
RTP1
Grande Entrevista - Pedro Santana Lopes

Vamos lá ver que diz desta vez...

Sexta-feira, Novembro 19, 2004

Frase do dia

Da boca de Miguel Relvas saiu a seguinte frase "Sempre o apoiámos, porque para nós ele não era socialista, mas português", referindo-se a António Vitorino.
Independentemente da qualidade ou não de Vitorino no desempenho das suas anteriores funções de comissário europeu, isto mostra que o egoísmo e mesquinhez nacionalista não é exclusiva do PP, atropelar a ideologia para beneficiar um português é um acto considerado correcto, e, para alguns, a sinceridade não é necessária no parlamento europeu (não fosse o mesmo Miguel Relvas ficar chocado por cinco deputados do PS se absterem na votação para a Comissão Europeia).
Relembro que somos nós que temos que agradecer por estar na União Europeia, e não o contrário.

No aborto do lar

Desde há algum tempo que, no nosso país, a questão do aborto tem sido tratada de uma forma hipócrita e facilitista. Embora esteja fora de questão a mudança da lei neste momento, continua a ser consensual que as mulheres que abortam ilegalmente sejam perdoadas.
Temos portanto uma lei com o verdadeiro espírito português: não é para cumprir. Ela está lá, bonita e imponente, mas na práctica é impensável, e até cruel, cumpri-la.
É o que se passa agora, quando o governo admite viabilizar o projecto do PCP para suspender os julgamentos pela prática de aborto. Está em questão um diploma que anula o efeito da lei que condena até três anos de prisão o crime do aborto, mas atenção, a lei continua em vigor!
Das duas uma: ou existe a lei e é para cumprir, ou então acabem com ela!
A mim, parece-me que este remendo, consegue ser pior que qualquer outra solução, uma vez que em vez de permitir o aborto em geral, só permite o aborto clandestino.

estes americanos...

Que têm em comum Miguel Sousa Tavares, Mário Soares e Michael Moore?!

Primeiramente, os três apareceram em algum orgão de comunicação hoje: MST na sua crónica no Público; MS na reportagem nas televisões que cobriram a sua conferência no Porto; e Michael Moore porque anunciou que já está a fazer "Fahrenheit 911 ½".

No entanto, esta não é a única similaridade. O discurso dos três é marcado, desde sempre (ou, pelo menos, dentro do que a minha memória atinge), pela demagogia, o recurso à mentira ou empolamento de quaisquer factores, sem qualquer problema de consciência e, mais gravemente, pelo não respeito pela democracia universal. Estes três símbolos de uma vasta gama de intervenientes da nossa sociedade mundial não veem qualquer problema em atropelar qualquer barreira do bom senso para conseguir impor a sua opinião.

Miguel Sousa Tavares assina hoje um artigo intitulado "É fácil, é barato e engana tolos" no qual defende intransigentemente os "pobres dos fumadores" que, segundo ele, são perseguidos pelas regras do socialmente correcto. Naturalmente, em qualquer raciocínio deste senhor, os culpados possíveis são dois: ou o PSD, ou os EUA. Neste caso, os culpados desta "cruzada" (que ele compara com a proibição da caça, do alcoól, da importação de charutos (!) e a uma campanha pela virgindade antes do casamento) são os americanos, quais "ayatollahs", que nos impõe os seus valores católicos (sim...ele considera que nós copiámos esta ideia da Irlanda, que a tinha copiado dos EUA). MST utiliza a arrogância e o "empinar de nariz", suas características, para insultar qualquer "estúpido" que não concorde com a sua "visão iluminada e superior". Aproveita para defender que os estudos científicos sobre fumadores passivos são falsos e empolados, fazendo lembrar, curiosamente, o sr.Bush, de quem ele tanto gosta.

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Aproveito, já agora, como fumador passivo, para pedir um pouco de bom senso aos fumadores e que tenham em conta de que o seu acto de prazer é, para mim, um acto incomodativo pelo que, considero, tenho direito à minha liberdade de me afirmar como não fumador, assim como eu não imponho nada a outras pessoas. Estranho todo o lobby fumador que apareceu, repentinamente, bradando contra esta proposta que me parece razoável (apesar de assumir que deveria haver espaços de fumadores e não fumadores).
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Continuando... o chefe do clã Soares continua com a sua guerra contra os EUA e o governo (também...) tendo dito ontem que, se Portugal não fosse um país membro da UE, já teria havido um golpe de estado. Também Soares usa uma demagogia barata e desacreditada a quem já ninguém responde, o que torna algo penosa a imagem deste ex-Presidente da República e um símbolo importante da nossa história. Nos últimos anos, este caiu em absoluto descrédito devido à parcialidade da sua opinião e o nível baixo das críticas que faz aos outros agentes da sociedade. Soares considerou, por exemplo, que a "melhor américa" votou Kerry, dando-nos uma imagem do respeito que tem pelos sufrágios.


A terceira figura de hoje é Michael Moore. Ele anunciou que o seu filme (spot político) do ano passado que falhou no seu objectivo principal de derrotar Bush terá uma continuação. Segundo ele: "51% dos americanos tiveram falta de informação (nesta eleição) e queremos educá-los e iluminá-los". Esta presunção da necessidade das pessoas em ter mentores que lhes indiquem o caminho é lamentável mas foi o que fez Moore correr o mundo durante um ano e meio. Infelizmente, não educou gente o suficiente...


Portanto, vemos que estes três senhores não são assim tão diferentes. Os três têm como inimigos o PSD e George W. Bush (Moore não detesta o PSD, mas se já tivesse ouvido falar, também detestava); os três mentem descaradamente para não cair em incoerências (na passada análise televisiva de MST este chegou a defender o PP, apenas para atacar o PSD); os três falam para os "incultos" do mundo que não tiveram a sorte de nascer com a sua claridade de pensamento; os três gostam da democracia, mas apenas se toda a gente pensar como eles (se toda a gente já tiver sido "educada"). Isto faz com que eles sejam, hoje em dia, devido ao referido agora, imagens desacreditadas e pessoas sem qualquer gota de credibilidade e cuja opinião é consultada por mera curiosidade e para aproveitar e rir um bocado (mais ou menos como os artigos do Luís Delgado mas, no caso dele, parece que acredita mesmo naquilo...).

É lamentável que a imprensa continue a dar cobertura a fenómenos destes e que alguém ainda releve estes senhores dando-lhes espaços em TV's e jornais para que eles possam "desbaratar indiscriminadamente" e que, a seguir, haja vários seguidores e pessoas a aplaudir a sua obra. É uma pena, não por tentar censurar a sua opinião mas, exactamente, pela falta de pluridade dela. Para os ouvir dizer o que já sabemos que vão dizer, mais vale ouvir outras pessoas.

Rápido, parem o orçamento!

O Banco de Portugal anunciou que a economia portuguesa abrandou nos últimos dois meses... Afinal é melhor não expandir já...

Quinta-feira, Novembro 18, 2004

Mau perder

Depois da sucessão dos acontecimentos relacionados com o Diário de Notícias, com a RTP, e com o caso Marcelo , a alta autoridade para a comunicação concluiu que o governo tentou usar pressões ilegítimas sobre a Média Capital e interferiu na independência dos órgãos de comunicação social.

Até aqui, já toda a gente sabia, mas eis que aparecem as extraordinárias reacções do PSD, que alegam que a AACS está desacreditada, com uma renovação em curso, sendo portanto qualquer sua conclusão irrelevante. Para além de ter metido a pata na poça, o executivo de Santana Lopes mostra que não tem nada de interessante a dizer em sua defesa.

Por mais defeitos que a AACS tenha, não me quer parecer que sejam suficientes para que esta diga precisamente o contrário da realidade, precisamente quando ela está, com uma evidência clara, à frente de todos (excepção feita talvez a Luís Delgado, que conseguiria elogiar o governo, nem que este começasse a 3ª guerra mundial).

É completamente surreal a capacidade que este governo tem de fazer as coisas mais inacreditáveis descaradamente e sem noção das consequências, a título de exemplo, para calar as críticas de Marcelo Rebelo de Sousa, conseguiu pôr a comunicação social, durante um mês, a falar de pressões, de censura e a explorar todos os pormenores susceptíveis de formar um escândalo político, dando à oposição material de sobra para desfazer o governo durante os próximos tempos e a mim argumentos para concluir este post.

Quarta-feira, Novembro 17, 2004

Twin Peaks (1990)

Acabei hoje de vêr o último episódio da série de David Lynch e Mark Frost. Durante 5 dias anseei chegar a casa para poder saber o desenrolar de cada um dos 8 episódios da série.

Com a realização de David Lynch, esta série de culto tem como ponto de ligação entre as várias pessoas da pequena aldeia a "protagonista invisível" Laura Palmer. O argumento destes dois génios mantém-nos na dúvida de quem matou Laura desde o aparecimento de cada novo personagem, até ao fim do último episódio.
Outra das qualidades da série é a caracterização de cada personagem, principalmente do agente do FBI Cooper (Kyle MacLachlan), Bobby Briggs (Dana Ashbrook) e o médico Lawrence Jacoby (Russ Tamblyn).

Esta série, que pode ser comprada na FNAC, ou em vários sites, entre eles o amazon.co.uk (neste por muito melhor preço, e com legendas em português), é um bom investimento para quem nunca a tenha visto.

"Fire, walk with me"...

Terça-feira, Novembro 16, 2004

Sigilo Bancário

Continuo sem perceber porque é que nunca em tempo algum se discute no parlamento o fim do sigilo bancário. Nem o BE ou o PCP, os "defensores dos pobres e denunciadores dos ricos", parecem estar interessados em pressionar este ou outro governo nesse sentido.
Percebo que alguma classe política tenha algum interesse em manter as suas contas no segredo dos deuses, mas não estou a imaginar qual será o devastador "argumento de divulgação ao público" que silencia esta questão.
Quem foge aos impostos anda então feliz da vida pois o seu direito à privacidade oculta alegremente as suas contas.
Embora Bagão Félix já tenha manifestado o interesse em acabar com o sigilo bancário o máximo que conseguiu foi "deixar espreitar um bocadinho" algumas contas bancárias, o que já é um avanço, mas ainda é insuficiente para combater seriamente a fuga aos impostos.

Cada tiro, cada melro

Parte 1 -

A capa do DN de hoje faz-me pensar que os militantes-base do PSD têm razão. O almoço entre Santana Lopes e Paulo Portas é a prova de que o PP é um partido que aproveita tudo quanto possa, e tem consciência do quão fraco é o chefe de governo.
Após o congresso de Barcelos, onde, unanimemente, a maioria silenciosa se pronunciou contra qualquer acordo pré-eleitoral (e talvez contra qualquer acordo pós-eleitoral com os democratas cristãos), rapidamente António Pires de Lima e Narana Coissoró, entre outros, vieram condenar a opinião de todos os militantes laranja, prontificando-se a dizer que não têm medo de ir a eleições sozinhos, e que não excluem uma coligação com o PS. Estes tiveram a ajuda do ministro Morais Sarmento, que saltou aos microfones para acusar Marques Mendes por tentar desestabilizar a coligação e o governo.
Os ataques do PP e da direcção do PSD às bases do partido de Sá Carneiro (ou, se calhar, já não..) são uma falta de respeito pela vontade do povo, inaceitável. Portas usou o facto de ser um "bicho indesejado" para chantagear ainda mais o governo, ameaçando com a realização de um congresso extraordinário para "retirar ilações" sobre esta (in)esperada bofetada sintomática do pensamento geral dos militantes laranja.
Apesar de todas estas atitudes intoleráveis por parte da direcção do PP, e ao invés do que se esperaria, o presidente do PSD, decidiu não defender os seus eleitores internos, mas voltou a ceder, como o PSD tem feito desde há 2 anos e meio, mas mais frequentemente nos últimos quatro meses, oferecendo um almoço ao "menos liberal" dos Sacadura Cabral e, suponho, pedindo-lhe desculpa por o PSD ter tentado ter opinião sem consultar antes o consiglieri Pires de Lima.
Ao conjunto de acontecimentos casuais (também denominados por "ruído") como a demissão de Marcelo, as mudanças na PT e, ontem, a demissão de José Rodrigues dos Santos, parece que iremos juntar a demissão dos militantes do PSD (sem intervenção do governo, naturalmente). Para isso, será criada a "Alta Autoridade para a Opinião do PSD" presidida por um membro independente (nomeado pelo PP), com o objectivo de trazer estabilidade ao país. Igualmente, já não faltará muito tempo para que Sampaio diga que está preocupado, e que alerte os "políticos em geral" para o estado degradado da imagem destes.



Parte 2 -
Esta pequena nota serve apenas para deixar algumas ideias sobre o artigo "Discurso Positivo" e sobre os artigos, em geral, de Luís Delgado, presidente da PT. O senhor que há uns meses se tornou chefe do DN e que, simultaneamente, se manteve como colunista neste jornal, tem marcado as suas opiniões por uma falta de coluna vertebral impressionante, ou por demasiada sintonia com o governo. Delgado consegue ser mais entusiasta sobre qualquer proposta da maioria que os próprios ministros que as apresentam. Hoje este prolonga o comício do PSD, insurgindo-se contra os que ele denomina por "profetas da desgraça", vindo defender o discurso positivo e de bonança feito por Santana no encerramento do congresso.
Delgado usou frases como: "em 2004, Portugal já está a crescer - 1,3% que seja - e isso não é mau. Muito menos recessão ou crise. Para 2005, as previsões menos favoráveis estão acima dos 2%, e essa é a média europeia."
A questão é que o crescimento económico mundial é ainda lento, e pode abrandar se o preço do petróleo se mantiver ou subir. Outro factor a ter em conta, do qual não se tem falado, é que Portugal não pode pensar apenas no défice 0% ou no crescimento ao nível da Europa; o nosso país precisa de relançar a economia a níveis superiores aos da Europa para poder recuperar o atraso de algumas décadas em relação aos 15 (e, brevemente, relativamente a vários dos novos 10). Os avisos dos economistas têm-se repetido, e apenas o ministro acredita no seu orçamento. Ainda que este seja viável e, principalmente, por se basear em receitas extraordinárias, ainda não estará na altura de começar a subir os índices de confiança, o que fará aumentar o consumo, e, consequentemente, aumentará a inflação e as importações, o que fará que Portugal volte a entrar em recessão, não permitindo uma melhoria real para os portugueses a longo prazo. Apesar da crueldade de discutir as pessoas como números, e tendo em conta que estas são o principal manancial de cada sociedade, é importante que Portugal crie objectivos a longo prazo (não só na economia mas, para esta discussão, especificamente esta), permitindo que haja um aumento sustentado do nível de vida e não um falso boom incitado pelos agentes políticos, que se tornará um flop e degenerará numa depressão semelhante à deste momento.
No entanto, Luis Delgado deleita-nos com vários artigos que defendem teorias, contra e tudo e contra todos, por coincidencia, sempre favoráveis ao governo, o que nos pode fazer duvidar da seriedade dele na prossecução da sua actividade. No entanto, até prova em contrário, terei que continuar a acreditar na sua boa vontade e nesta sintonia deste com Pedro Santana Lopes e Cª e continuarei a ler os seus artigos para, nem que seja, me melhorar o humor e "levantar o astral" (usando uma expressão de PSL em Barcelos).

Segunda-feira, Novembro 15, 2004

País Pobre

Neste momento parece inquestionável a liderança dos partidos que irão competir pela governação de Portugal nas próximas eleições legislativas: de ambas as partes foi escolhida a "versão fácil", com visão a curto prazo.

Estaremos então condenados ao já acomodado ciclo que alterna a euforia com a depressão, característica de um país pobre, que mal tem algum dinheiro corre para o gastar sofregamente e com uma alegria momentânea, para depois voltar a apelar à boa vontade dos portugueses e pedir-lhes (exigir-lhes) esmola.

A prova disto é que até o Santana Lopes declarou na dita "Verdade" que o tempo da austeridade já acabou, e que gostaria de aumentar a função pública (!!!), se pudesse. Talvez no próximo mandato tenhamos José Sócrates a lamentar com pesar que o despesismo de Santana o vai obrigar a reduzir a função pública...

Domingo, Novembro 14, 2004

Acabou!.....


Finalmente terminou o congresso, que começou como "VERDADE", mas acabou como "CONFIANÇA". Suponho que, depois da intervenção de Marques Mendes, tenham achado que, afinal, não valia a pena tanta verdade...

Ficámos a saber que Santana apoiará Cavaco na sua candidatura à presidência da república, se este assim o quiser; que Luis Filipe Menezes não será candidato à CMGaia no próximo ano; que será aberto um inquérito sobre a morte de Francisco Sá Carneiro; e que Santana tenciona ser primeiro ministro até 2014 (isto terá soado a uma piada para a maioria dos portugueses), copiando Cavaco Silva nos 2+4+4 anos de mandato . Além disso, ouvimos vários comentários e abordagens a temas menores.
No entanto, o congresso foi marcado (infelizmente), como já se sopunha, por uma legitimação do líder sem qualquer contestação de maior. Foram dois dias perdidos, onde não foram apresentadas ideias novas, onde os discursos não tiveram qualquer motivo de interesse, nem para dentro do partido.

Este congresso foi encerrado com um discurso de uma hora, mais uma vez de improviso (ou sem teleponto!!!), em que Santana começou por referir um conjunto de assuntos corriqueiros, distribuiu agradecimentos, defendeu, ainda que indirectamente, a coligação e outras questões de menor.
No entanto, há que reconhecer, a segunda parte deste ultimo discurso terá sido a melhor do congresso:
- Santana conseguiu intimar o PS a que se defina realmente, o que seria bom que acontecesse com os partidos portugueses (incluindo o PSD);
- apesar de este orçamento parecer austero, PSL defendeu que era um orçamento de rigor, e defendeu uma política de controlo dos gastos externamente às exigências do PEC; contestou a baixa produtividade em Portugal, e a dependência da nossa economia em relação aos fundos estruturais;
- mostrou que conhece o orçamento profundamente distribuindo números sobre variados ministérios;
- defendeu a liberdade de imprensa (tentando lavar as mãos, como Pilatos) re-anunciando a criação da entidade reguladora da imprensa;
- defendeu as missões militares portuguesas no extrangeiro, dizendo que no próximo ano estas continuarão no Kosovo, Bósnia e Afeganistão (não se ouviu falar do Iraque);
- proferiu algumas frases demagógicas, que algum dia aparecerão em algum livro ou jornal, alimentando, portanto, a indústria da comunicação (é bom para o país); algumas destas frases foram "O dinheiro não cai do céu."; "Não se pode pintar uma rua num momento para que esta fique bonita" (faz-me lembrar uns cartazes que diziam "Lisboa está cada vez mais bonita"...mas isso é passado!); e, culminou com "Eu sou um de vós, vim do meio de vós, das entranhas do país"!

Este congresso foi bastante positivo ou bastante negativo para Pedro Santana Lopes (dependendo de cada um): agudizou e extremou a opinião que cada um tinha dele, dando argumentos a cada um dos lados da barricada. Para os santanistas, o seu chefe mostrou que não cede a pressões, é um líder carismático, tem o dom da palavra, e é um homem de amor às suas causas e lutas. Para quem não gosta dele, ficou a imagem de um líder que não cede por interesses e necessidade de poder, um homem que, para legitimar o seu poder, teve que calar os críticos do partido e alguém que não será primeiro-ministro por muito tempo, por ter a opinião pública adversa a ele (assim como Bush a tinha, nos EUA).

Mas eu acredito que poderiamos ter criado uma imagem deste primeiro-ministro sem perder 36 horas de cobertura televisiva, e, em vez de vêr este espectáculo para os media poderiamos estar todos a trabalhar. Seria melhor para o ego e, principalmente, para o PIB...

Sábado, Novembro 13, 2004

PRIMEIROS!

Finalmente o Porto chegou ao primeiro lugar. Não sei se feliz ou infelizmente (porque duvido da qualidade do treinador) chegaram lá... Agora falta conseguirem qualificar-se para a Taça UEFA!

Veremos!

PSD

Marques Mendes, às 21h, respondeu na sicN a Morais Sarmento, que, rapidamente, apareceu a clamar por estabilidade. Fê-lo defendendo que apontar os erros não é uma questão de estabilidade, é uma questão de "verdade"(de onde é que eu conheço esta palavra?). Felizmente, ainda há gente no PSD com verdadeiro "sentido de estado". Marques Mendes aproveitou, após interpelação da jornalista sobre o facto de alguns dos membros do PSD não estarem presentes no congresso, para explicar que a ex-ministra Manuela Ferreira Leite tinha sido "impedida" de comparecer, apesar de ter mostrado vontade de o fazer. Mas não falemos disso, para não desestabilizar a coligação!

Outra notícia foi o facto de Luis Filipe Menezes não se recandidatar a Gaia no próximo ano. Novamente, Menezes tentou que alguém lhe ligasse, o que não acontece desde que falhou o (tentado/apetecido) "salto" para a Câmara Municipal do Porto em 2002. O presidente da Câmara de Gaia tentou pressionar Pedro Santana Lopes tendo, como objectivo, ser membro do conselho nacional ou, talvez, um dos vice-presidentes. Mais uma vez, este tenta atacar Rui Rio, ao qual tem um ódio visceral, por ter tido a coragem de fazer o que este queria ter feito, mas achou que perderia: candidatar-se à CMP.
Podemos acreditar nesta teoria, ou na apresentada pelo próprio, de que é a favor da limitação de mandatos autárquicos. Mas isto veio de um senhor que, há 3 meses se ameaçou demitir para que alguém falasse dele, criou uma "guerra mediática unilateral" com a outra margem com o intuito de se promover, e que, desde há três anos, vai a festas de crianças no McDonalds, se souber que os pais vão filmar! Portanto, eu não daria muita credibilidade à sua explicação.
É claro que, devido à qualidade da direcção do PSD, esta história acabará, como a de há três meses, com alguém a pedir-lhe que fique, que faça, que vá... Assim como quando se ameaçou demitir, apareceu Arnaut a explicar o equívoco, já apareceu o presidente da distrital do Porto do PSD Marco António (e não será o único), a pedir-lhe que reconsidere. E, que tal, se parassem de lhe ligar? O PSD não precisa de Santanas e de Menezeses; precisa das bases e do seu eleitorado de direita e centro-direita!

Ainda "A Verdade"

Acabou de se assistir a um arrepio gélido no congresso do PSD, Marques Mendes denuncia objectivamente as fragilidades de que o governo e o partido padecem desde que Santana Lopes é primeiro ministro, desde o desvio populista ao fracasso da coligação todos os erros se tornaram claros no seu discurso.
Já eram de esperar as reacções o que acusam de contribuir para a instabilidade do PSD e para queda do governo, menosprezando qualquer argumento, por mais lógico que seja: parece-me que ainda há militantes do PSD que desprezam o contraditório.
É deixada uma réstea de esperança de que o partido ainda possa ter a corajem necessária para mudar, embora eu não acredite muito.

Qual é a questão?

Mais algumas horas passadas, e continua o espectáculo mediático à volta do congresso da "VERDADE"(!!!). E ainda estamos a 30min dos fantásticos noticiários às 13h, em que algum "notável" irá largar mais uma notícia para os rodapés dos telejornais às 20h ou para as manchetes de amanhã.

No entanto, mesmo tendo começado os trabalhos de hoje há algumas horas, já aparecem as guerras sobre temas inacreditáveis (neste caso, coligações pré-eleitorais).
Vamos lá vêr os factos ideológicos:
- a coligação feita por Durão Barroso e Paulo Portas foi uma aliança feita por necessidade, e não por vontade (do primeiro, pelo menos);
- Paulo Portas tem caracterizado a sua carreira política pela sua falta de "coluna vertebral", e falta de ideias, chegando a vender a alma ao diabo, se achar que daí decorre alguma vantagem;
- Paulo Portas não terá qualquer problema em acabar com a coligação, seja em que altura for (até no dia anterior às eleições), se achar que não está a ganhar algo;
- Sá Carneiro tinha um sonho (uma maioria, um governo, um presidente), mas não abdicaria dos seus princípios para o atingir. Santana não pode usar as mesmas estratégias que Portas utiliza diariamente para chegar a esse objectivo.
- o PP tem princípios e objectivos diferentes de os do PSD;

Agora os factos pragmáticos:
- o PSD perde votos se concorrer coligado;
- a percentagem de representantes nas coligações PSD/PP (vereadores ou deputados, dependendo da eleição) em relação à percentagem de votos que cada partido obteria separado, é muito penalizadora para o PSD;
- o PSD tem que ceder em muito mais temos que o PP faz, tendo em conta o peso eleitoral de cada um;
- o PSD, nos municípios em que concorrer coligado, ficará preso durante 4 anos às "birras" e "pressões" constantes de Paulo Portas (PP).
Perante estes factos, e de não serem conhecidas vantagens reais de uma coligação pré-eleitoral, pelo menos nos moldes actuais, não se percebe o porquê da discussão à volta do tema.
O PSD deve concorrer sozinho, com os seus candidatos e, possivelmente, pensar em coligações pós-eleitorais, perante os resultados, mas, tendo sempre em conta, que não é ele que precisa do PP, mas o PP que precisa do PSD; logo, quem tem que ceder é o Portas, e não o PSD (sim...há "o PSD" e há "o Portas"...não existe "o PP")

Esta conclusão por parte do primeiro-ministro seria uma das maneiras de sair por cima do congresso, ganhar votos dentro do eleitorado do PSD (que se afastou há dois anos), e de mostrar que consegue tomar decisões realmente relevantes e decisões baseadas em princípios racionais, e não eleitorais, (ao contrário das decisões populistas (ainda por cima, não populares) que o têm caracterizado).

E não, não é preciso, na segunda-feira, mandar uma carta a todos os portugueses a explicar o quão bem correu o congresso e quão inteligentes e sábias foram as intervenções dos militantes!

Sexta-feira, Novembro 12, 2004

Ao colo do estado

Não posso deixar passar em branco um brilhante "raciocínio" que nos foi oferecido por Jorge Pinto, coordenador da delegação do Porto do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) sobre a proposta da CMP para a liberalização dos horários do comércio no Porto. Sobre esta medida ele diz simplesmente que "Se os comerciantes optarem por abrir à noite no actual cenário de dificuldades económicas vão acabar por ter aí um caminho mais fácil e rápido para a ruína, logo, teremos mais desemprego", ora bem, isto é absolutamente fantástico: é melhor não deixar que os comerciantes abram as suas lojas durante um horário mais flexível, porque com o jeitinho que têm para o negócio ainda se põe a estar abertos a toda a hora e a contratar empregados a torto e a direito, ainda por cima com as dificuldades em que vivemos (as quais os comerciantes nem sonham que existem...) .

Se há argumento que eu considero ridículo contra o aumento de qualquer tipo de liberdade é o de que as pessoas não têm maturidade de a usar e portanto saem prejudicadas pela sua ingenuidade (coitadinhas). Em cima descrevi um pequeno exemplo, o último que tomei conhecimento, desta ideologia corrente que pensa que as pessoas devem ser levadas ao colo do estado, pois este é que sabe cuidar bem delas.

Esta é uma mentalidade limitativa e com tendência a criar uma sociedade mimada e improdutiva que atribui ao estado a responsabilidade de tomar as iniciativas que devem ser tomadas pelas pessoas que as pretendam desenvolver. Espero nunca ter que trabalhar em conjunto com algum membro de uma sociedade deste tipo.


Constituição, Formação e Educação, Economia

Bom, é uma pena que o meu primeiro post seja sobre o Primeiro-Ministro português...

Foi um espectáculo lamentável vêr um senhor num palco durante uma hora sem exprimir qualquer mensagem com um mínimo de conteúdo. Foi uma pena voltar a ver Santana Lopes com as suas frases curtas e de linguagem simples, promovendo-se a si próprio e ao seu governo, ignorando todo o "ruído", e fugindo para a frente, em direcção a uma meta que ninguém sabe onde está. Santana perdeu a oportunidade de acabar com alguns problemas que ainda tem que advêm do facto da sua não-eleição directa, podendo ter feito um discurso de Estado, ou um discuro para o partido, tendo calado os críticos externos ou internos. No entanto, optou por fazer umas considerações frouxas sobre a oposição (ao nível da qualidade desta, há que dizer), e ignorou as críticas internas, fugindo em direcção ao tema "eleições presidenciais".

Esta fuga originou o facto mais "colunável" do discurso, e, mais uma vez, fez com que Santana Lopes tenha caído em ridículo. Parece-me inacreditável que, alguém que ignorou Cavaco Silva durante dois anos, assumindo-se como candidato natural para Presidente da República, agora faça uma "colagem política" a este, com o único intuito de se associar a "factos positivos", que não parece conseguir criá-lo ele próprio. Espero que Cavaco tenha consciência (que creio que tem) de que não necessita do presidente do PSD mas, apenas, dos militantes e das bases do PSD.
Santana pode ser uma Cavaquete, se precisar, mas Cavaco nunca será uma Santanete, e não precisa de o demonstrar.

Nas reacções ao discurso houve o habitual culto ao líder, tendo aparecido algumas dezenas de militantes a mostrar trabalho, tendo aparecido a legitimar a posição do presidente neste apoio surreal.
No entanto, o "irresponsável, bronco e bruto" Alberto João Jardim apareceu com a ideia "estúpida" de criticar Santana e de, imagine-se, dizer que Cavaco não seria o seu candidato favorito, e que só o apoiaria se não aparecesse um melhor. Jardim defendeu que os três grandes problemas de Portugal são: "a constituição", "a formação e educação" e "a economia"; problemas que Cavaco não será capaz de/quererá solucionar. Talvez este insular não seja assim tão ignorante...

Vemos, portanto, que os factores se estão a conjugar para que passem mais 10 anos sem que Portugal consiga fazer as mudanças necessárias e em que o primeiro-ministro será, ou Santana Lopes, ou José Socrates; o Presidente da República será Cavaco Silva e, o presidente da Região Autónoma da Madeira será o "ignóbil" Alberto João Jardim. Parece, portanto, que o único político com verdadeira vontade para mudar isto continuará relegado naquelas duas ilhas atlânticas pelos "políticos de Lisboa" que continuarão a defender-se e elogiar-se a eles próprios atacando qualquer voz dissonante que apareça.