Domingo, Abril 10, 2005

A obcessão pelo não-conhecimento

Porque a religião ficou na moda, e até conseguiu reanimar um pouco este blog, gostaria também de expressar a minha opinião neste assunto.

Em primeiro lugar gostaria de reconhecer que qualquer religião pode acreditar em seja o que for, fazer e dizer seja o que for, desde que qualquer pessoa só seja afectada se deliberadamente o quiser.
Considero que todas as religiões podem expressar legitimamente a sua opinião relativamente ao assunto que quiserem, nomeadamente política, ciência, sociedade, etc, em qualquer país em que a educação laica e a informação possa ser assegurada a toda a população. Acontece que na generalidade dos restantes países as religiões acabam por ter um papel criminoso e de obstáculo ao desenvolvimento, das quais o islão é o caso mais flagrante, mas longe de ser o único.
No entanto a neutralidade de um estado em relação às instituições não pode ser só para a parte que neste momento lhes é benéfica, e portanto nenhuma religião deveria ter um estatuto diferente de qualquer instituição, e estas das empresas. Assim a religião deveria subsistir apenas com o trabalho, o dinheiro ou outro tipo de ajuda por parte das pessoas interessadas.

Dito isto, convém dizer que eu também devo ter toda a legitimidade para dizer a minha opinião sobre o que eu quiser, inclusivamente sobre o que pensa a instituição religiosa que mais influência tem onde vivo, a igreja católica.
Para mim é um sinal de ignorância e de fraqueza muitos católicos adoptarem a opinião da igreja, e esta a do Papa, simplesmente porque é o Papa, por fé. Aliás a fé por si só é irracional, é não pensante e é preguiçosa, e a meu ver isso é mau.
A igreja católica, como na maior parte da sua história gozou de uma enorme influência na sociedade, para a manter, sempre optou por uma opinião conservadora, adversa à mudança, com o medo de perder o seu poderio. Actualmente, as opiniões da igreja sobre genética, aborto, posição da mulher e orientação sexual reflectem isso mesmo: não mudar!
Esta igreja já surgiu há muito tempo, e portanto, a altura em que foi fundada e em que começaram a surgir as suas ideias em nada se parecia com a realidade actual, e como em qualquer religião, essas ideias eram tidas como verdades inquestionáveis (fé). Mas com o evoluir do tempo surgiu a ciência, a sociedade foi mudando, e as verdades inquestionáveis, adaptadas especialmente a uma época ultrapassada foram postas em causa. A igreja viu-se, pela força da opinião generalizada a esquecer alguns dos seus dogmas (mas sempre com uma resistência hercúlea), resumindo-se hoje a uma diminuida lista de verdades, com tendência para encolher. A influência religiosa tornou-se inversamente proporcional ao desenvolvimento.

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