Segunda-feira, Janeiro 31, 2005

Pré-campanha - os grandes

O ambiente de pré-campanha vivido durante as últimas semanas tem revelado todo o esplendor da mediocridade da política portuguesa e ainda algumas surpresas curiosas.

Os últimos momentos da governação PP/PSD, que levaram ao seu fim, deixaram o PS numa confortável posição de presumido vencedor nestas eleições, o que talvez explique a pouca preocupação com que têm vindo a explicar o conteúdo do seu programa, onde tudo parece que, inexplicavelmente, vai resultar às mil maravilhas.
Sócrates diz que quer criar 150 000 novos empregos. Onde? Não se sabe, mas como pretende também reduzir a função pública não será lá certamente, por outro lado 150 000 boys seria demasiado escandaloso, pelo que suponho que a grande parte destes empregos deverá ter origem na iniciativa privada. Ora para criar mais emprego no sector privado é necessário fazer crescer a economia. Como? Choque tecnológico! Resolve tudo como que por magia!
No entanto surge outro problema: o choque tecnológico custa muito dinheiro. Mas a solução socialista é simples, o investimento público do choque milagroso não deveria contar para o défice, como se isso por si só servisse de pagamento.
Esta postura de optimismo baseada em coisa nenhuma, associada a um líder mal preparado que precisa de um António Vitorino e de um Jorge Coelho para lhe dizer o que deve fazer e dizer
parecia já suficientemente má quando certo dia surge António Guterres, que no seu estilo, não diz absolutamente nada, com Sócrates a lamber-lhe as botas, venerando o ícone do insucesso socialista em Portugal.

Do outro lado temos o PSD, que neste momento está em guerra civil, onde a liderança de Santana Lopes é fortemente questionada, e tem às costas o peso de uma vergonhosa governação marcada pela descoordenção entre ministros, populismo, total inexperiência governativa e incómodo perante a crítica.
O discurso do PSD tem sido marcado, até agora, pela quase nulidade de conteúdo, dando maior relevância à vitimização do seu líder, sem sequer explorar as principais fragilidades do projecto socialista. As vagas referências a um choque de gestão e a um ambicioso aumento da produtividade foram ainda muito mal explicadas.
O PSD de Santana Lopes pretende dar seguimento, sem grandes novidades, ao conjunto de reformas que tentou implementar durante os quatro meses em que esteve à frente no governo: algumas propostas interessantes, mas com uma enorme desorganização.
Particularmente curiosa é a não referência ao MPT e ao PPM, com os quais está coligado e supostamente teria qualquer coisa a dizer, nem que seja a razão desta estranha aliança.

Para finalizar, fomos brindados com um surreal artigo de Freitas do Amaral, onde este claramente elege o programa do PS como superior ao do PSD, ao ler o artigo deparamos com uma razoável variedade de assuntos sobre os quais Freitas do Amaral diz que o PS propõe medidas muito melhores que o PSD, só não se sabe é porquê, pois ele não chegou a falar sobre essa parte.
Diz ele também que votar em branco é uma renúncia à cidadania, o que considero absurdo, uma vez que este representa a opinião válida de não confiar em nenhum partido, num determinado momento, para uma governação minimamente razoável de Portugal, o que não é nada descabido perante o panorama actual. Uma elevada percentagem de votos em branco pode incentivar os partidos a mudar a sua atitude no futuro.

Segunda-feira, Janeiro 24, 2005

"E se emigrássemos?"

Porque é que não consigo ter vontade que nenhum dos partidos ganhe?

Tanto com Sócrates como com Santana o país não vai conseguir resolver os problemas que tem. Daqui a 4, 8 ou 12 anos vamos estar a discutir as mesmas coisas: o peso da administração pública, a falta de produtividade, o pouco investimento extrangeiro...

Sócrates já prometeu diminuir em 75.000 trabalhadores os quadros do Estado. O número que Santana promete deverá ser semelhante. No entanto, o problema não passa pelo número de pessoas que trabalha para a função pública. A única maneira de conseguir dar um rumo ao país passa, não por soluções que partem do interior, mas de soluções que decidam quebrar por completo com o sistema vigente.
É preciso alguém que decida mandar o país abaixo e voltar a construí-lo: apresentar-se a eleições com uma constituição nova, uma lógica de sistema de ensino diferente, uma lógica de sistema de saúde diferente, uma lógica de função pública diferente!
É preciso que alguém perceba que a solução não está dentro do que já existe.

Chamem o exército e proclamem um novo regime político! Venha a Nova República! Uma nova república em que as pessoas vivam de acordo com as suas opiniões; uma nova república em que as pessoas vivam respeitando os direitos das outras; uma nova república em que não nos tenhamos que preocupar com o facto de Santana ou Sócrates serem governo ou de Sampaio ser presidente da república...

Senão, vamos todos emigrar...

Sábado, Janeiro 22, 2005

Louçã e a sua hierarquia

Não tive a oportunidade de ver o debate Louçã-Portas mas chegou-me aos ouvidos a seguinte frase, por parte do líder do BE:

" O Senhor não pode falar do direito à vida porque nunca gerou vida. Não sabe o que é gerar vida. Eu tenho uma filha. Eu sei o que é um sorriso de uma criança."

Para além de todo o populismo barato e do nível intelectualmente pouco elevado desta declaração, faz-me questionar toda a veneração à igualdade por parte da esquerda.
Poderei concluir que Louçã considera que há classes que têm mais direitos que outras tendo em conta as características da sua vida privada? Isto não é completamente oposto aos estatutos do BE? Alguém como ele vai ser eleito para deputado?!

Quinta-feira, Janeiro 20, 2005

À procura da qualidade perdida

É sempre agradável ouvir alguém dizer abertamente que o problema principal de Portugal é o excessivo papel do estado na maioria dos serviços. Disse-o Pires de Lima, no Debate da Nação, e que me faz acreditar que o PP ainda apresenta algumas ideias interessantes, não se limita ao moralismo e ao nacionalismo.

Factos:
- Portugal é o país da U.E. com o maior investimento publico na economia em relação ao seu PIB;
- Portugal é o país da U.E. onde a economia menos cresceu nos últimos anos.

Não podemos estar à espera de um "super-1º-ministro" que aumente a produtividade, os salários, as reformas, faça crescer a economia e diminuir o défice e que faça isto tudo sem que o resto do país precise de mexer uma palha.
Se se recebe mais à frente das principais empresas do que nos cargos políticos, é de esperar que os melhores gestores e dirigentes administrativos não vão para o governo. Não seria mal visto dar mais espaço onde se encontra maior qualidade e talento, já que num futuro próximo não se adivinham muitos políticos extraordinários...

Quinta-feira, Janeiro 06, 2005

PPM-PSD

O PSD de Santana Lopes consegue ser sempre completamente imprevisível, continuando a distribuir surpresas, agora na elaboração das listas para as próximas eleições.
A mais surpreendente e curiosa destas surpresas foi o anúncio da coligação com o PPM, que pode esfregar as mãos de contente, pois vê potenciadas a possibilidades de eleger algum deputado.
Mas sinceramente não consigo entender a lógica do PSD. Que perspecticas ideológicas é que os dois partidos têm em comum? Será possível que os poucos votos dos apoiantes do PPM compensem os que vai perder pela ameaça de ver alguma das suas propostas avançar? Eles pensam mesmo que esta coligação é uma vantagem?!
Este é um partido ridículo, retrógrado e com seriedade duvidosa que só serve para descridibilizar o PSD e para aumentar a possibilidade de Santana Lopes levar mais uma "facada nas costas" desta vez por parte dos portugueses, nas eleições, e que seja suficiente para lhe fazer perceber que não traz nenhum benifício ao PSD e ao país.

Terça-feira, Janeiro 04, 2005

A importância da não dependencia dos políticos

Os vários políticos dos últimos anos têm dado "milhares" de argumentos aos defensores de que a política tem que ter uma importância menor no quotidiano das pessoas e menos influência sobre a vida destas.


Ao nível económico, a dependência dos políticos, tem ajudado a atrasar e, provavelmente, impedir o crescimento económico. Se as empresas não tivessem uma dependência tão grande do Estado, a demissão do Governo não teria tido tanta importância, nem sequer os economistas teriam ido ao Palácio de Belém queixar-se ao PR.
No caso de haver um bom Governo e um bom PR, isso seria uma ajuda que serviria para definir uma estratégia para o país e para conjugar os vários ministérios com o objectivo de atingir metas; no caso de haver um mau Governo ou/e um mau PR, o país, apesar de não evoluir, conseguiria manter o seu emprego e as suas empresas estáveis (apesar de estas estarem dependentes de vários factores económicos internacionais, mas isso já acontece). A única vantagem que pode ter a influência do Estado na economia será o caso de existir uma economia fechada de estilo comunista, em que o Estado seja o único patrão. No entanto, as várias experiências desse modelo fracassaram todas e degeneraram sempre em miséria.

Adicionado ao facto de ser melhor uma economia liberal, a classe política em Portugal tem piorado exponencialmente. Se poderia ser aceitável a intervenção do Estado na altura em que Cavaco Silva era P-M, visto o país estar num momento de criação de infra-estruturas e de uma definição de rumo importante; após essa altura, a mão do Estado só tem servido para sustentar o próprio aparelho e não para produzir.
Seria benéfico para todos que o nosso emprego não dependesse de pessoas como as que constituem as listas de deputados do PSD ou do PS; seria benéfico para todos que as nossas empresas não estivessem dependentes de pessoas como Jorge Sampaio, Santana Lopes ou José Sócrates.



Ao nível social, é também importante que as leis deixem de ser feitas para agradar aos "eu ainda sou do tempo..." que consideram que a sociedade está a perder os valores ou que "a juventude se está a perder". É importante perceber que cada um deve ter toda a sua liberdade, desde que não entre na do outro.
Ao nível legal é, portanto, preciso aumentar a fiscalização, e a educação, que permita a cada um tomar a melhor decisão sobre qualquer assunto. Cada um deve poder estar bêbedo, desde que não entre na minha liberdade; cada um deve poder ter a orientação sexual e casar com quem quiser, desde que não entre na minha liberdade; cada um deve poder abortar, desde que não entre na minha liberdade; cada um deve poder suicidar-se, desde que não entre na minha liberdade...
É importante perceber que não existe ninguém na sociedade que seja superior a qualquer outro, portanto, ninguém pode tomar decisões em nome dos outros.

Mais uma vez, os políticos tentam impor as suas ideias a toda a gente, muitas vezes devido a interesses religiosos, ou interesses de outros lobbys. O Guterres fez isso, o Portas também, o Santana e o Durão também terão feito.

Os políticos são todos como o Midas (só que ao contrário). Quem vota só pode esperar por que apareça um Partido Liberal que expulsse a "má moeda". Ou então emigrar!


(PS: Desculpem a baixa cadência de escrita de posts, mas a vida de caloiro em época de exames não é fácil!)