Terça-feira, Fevereiro 22, 2005

Em terra de cegos...

É incrível como um partido consegue ganhar as eleições com maioria absoluta sem ter explicado razoavelmente nenhuma das suas propostas. Não há dúvida que Santana Lopes conseguiu um feito extraordinário ao colocar o PSD a um nível inferior deste PS ameaçadoramente guterrista.
Este resultado eleitoral é uma penalização a um governo que pede um esforço aos portugueses e diz que tem um projecto para sair de uma crise, e que a meio da governação o 1º ministro decide atirar as responsabilidades para trás e ter um trabalho mais interessante, sendo substituido por um total incompetente que nada tem a ver com a até então linha de governação e que dividiu o próprio partido.
Este resultado eleitoral é contra o PSD e não a favor do PS. O povo português não virou a sua ideologia à esquerda, foi o PSD que deu de mão beijada o centro e algum centro-direita ao PS.
É de arrepiar que o 3º partido mais votado apoie o regime Norte-Coreano, mas a incompetência dos partidos de direita(mais uma vez) tornou mais apelativo o discurso da esquerda e da extrema-esquerda.
Sinceramente ainda não acredito que este PS cumpra o PEC, nessa altura, com um PSD remodelado e com um discurso diferente, a volátil opinião pública vai ter tendência a mudar.
É pena que nosso país não seja suficientemente civilizado para que discutir política seja discutir ideologias, a nossa política ainda é a avaliação de competências...

Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005

Lúcia de Jesus

A morte da irmã Lúcia caiu como uma estrondosa e espectacular bomba na opinião pública. Nos media e no meio político, não se resiste à calorosa homenagem politicamente correcta, em nome de toda a nação (porque o estado é laico, mas que não se caia nas mãos do demónio!) concordante com a imagem do povo emocionado, cheio de fé, transmitida pela televisão. Por outro lado, grande parte da blogosfera, com um maior à vontade, politicamente incorrecta, desencadeia um impiedoso e insaciável ataque à igreja católica, dando graças a deus (salvo seja), pelo oportuno pretexto.

Tudo isto porque, por momentos, o país se debruçou sobre uma peculiar vida muito ligada às entranhas de uma certa filosofia católica. Para uma grande parte dos crentes a isolação completa do mundo e a vida de sacrifício são causa de grande admiração, pois constituem escolhas humildes de santas pessoas que se entregam para servir o bem. O grande problema provém da generalização por parte da igreja de que o sofrimento e a privação são louváveis por si só e não por possíveis consequências benéficas. Tornaram-se o marketing do catolicismo, que prodigiosamente foi incutido nos fiéis.

Esta mesma linha de pensamento, convenceu então uma jovem que, por ter a felicidade de ser escolhida para assistir a uns milagres, o caminho para a sua eternidade e glória passava pela sua clausura. Note-se que não existiu qualquer contributo para a humanidade na "sagrada existência" de Lúcia: as aparições e revelações (mesmo que por absurdo tivessem acontecido) foram completamente irrelevantes, delas não resultou absolutamente nenhuma previsão útil, também o malabarismo solar de nada serviu a alguém que fosse, e muito menos a "magnânime prisão" da consagrada vidente beneficiou fosse quem fosse, nem ela própria.
Ainda por cima vivia-se então no Estado Novo, e nada como um protagonismo religioso nacional para entreter o povo.

No entanto, é a heroína nacional do momento (ela até falou com o Papa!!), e esfrega as mãos de contente a igreja, que através da providencial propaganda, vem renovando alguma força, que o tempo vai desgastando, como instituição conservadora que é.

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005

Por questões de segurança, USA-o

Anda por aí a ideia que, com esta visita de Connie à Europa, Bush está a tentar re-aproximar-se da Europa, após o distanciamento do primeiro mandato.
Os países da Europa Central regozijam-se por os EUA terem finalmente entendido que precisavam da UE. Os jornalistas estão todos contentes porque os EUA estavam errados no Iraque e os Franco-Alemães estavam certos.

No entanto, tudo isto é mentira, e os europeus não o entendem!

Os EUA não precisam da Europa, pelo menos se a UE continuar a ser uma instituição fraca e amorfa. Nunca Bush deixará de fazer seja lá o que for, porque Chirac não quer! Esta visita é mais uma visita diplomática que visa apenas tentar uma boa relação com o eixo franco-alemão(-espanhol). No entanto, se isso não for possível, os EUA continuam unilateralmente a fazer o que acreditarem que é correcto.


E ainda bem que isso acontece.
Se o mundo dependesse da Europa Central ou da ONU, neste momento viveríamos todos numa ditadura global. A ONU, apesar de ter sido criada após a WW II, é em tudo semelhante à Sociedade das Nações que permitiu que esta tivesse começado. Não existem casos conhecidos (pelo menos, casos relevantes) em que a ONU tenha tido um papel essencial como organização. Todas as intervenções armadas e as grandes intervenções diplomáticas são lideradas pelos EUA, e a ONU arrasta-se atrás deles. As missões de paz não funcionam, e os países onde a ONU tem forças de manutenção continuam em condições miseráveis. Permitiram e permitem que o massacre em Darfur aconteça, permitiram o genocídio posterior ao referendo de Timor, continuam a pactuar com regimes que desrespeitam os direitos do homem, ajudando-os com os seus programas de caridade!

Se o mundo funcionasse como a ONU quer, neste momento ainda estaríamos em conversações com Saddam, Komeni, Arafat, Fidel, a URSS...

Neste momento, a ONU não está em condições de assegurar o seu objectivo principal: evitar uma Terceira Guerra Mundial.


Quem teima em não perceber isso é a UE; para mostrar o seu anti-americanismo, os países da Europa Central forçaram o levantamento do embargo a Cuba, e do embargo de armas à China.


Os EUA são os pais que permitem que os filhos se "armem" em frente aos amigos. Eles só querem achar que fazem o que querem durante um bocadinho... No entanto, se exageram, têm que ser castigadas.
Ainda bem que os EUA não são pais permissivos e que impedem a UE de fazer asneiras demasiado grandes.


Há que perceber que os EUA estão no caminho certo, tendo como objectivo um mundo melhor, enquanto que a Europa não tem qualquer caminho...quer apenas fazer umas birras e fingir que manda em alguma coisa. Esperemos que nunca consiga!