Serviço Público vs Emprego público
Ultimamente, a avaliar por muitos discursos feitos, tanto por militantes do PS, como pela sua oposição à direita, a importância de diminuir o número de funcionários públicos atingiu, aparentemente, um consenso considerável, e parece que virá a ser um facto consumado a curto-médio prazo.
Têm se dito maravilhas desta acção de redução do estado, tentando disfarçadamente dizer que a função pública funciona tão mal, que em quanto menos assuntos estiver metida, em menos sarilhos nos metemos, e menos dinheiro é literalmente deitado ao lixo.
Embora esta medida seja altamente benéfica para o desprendimento da economia, não resolve nenhum problema interno da função pública, só diminuirá a relevância da sua constante ineficácia.
Existe em Portugal,tal como na maioria da Europa, um desejo generalizado de que o estado tem a obrigação de prestar uma série de serviços, em alternativa aos privados, como saúde, segurança, educação, equilíbrio social e outros menos relevantes.
Mas parece-me que no nosso país esta lógica foi bastante distorcida: a prioridade não é a prestação de serviços de qualidade pelo estado aos contribuintes mas sim a existência de empregos totalmente estáveis, que supostamente prestam esses serviços.
Poucos funcionários públicos têm um mínimo de incentivo à produtividade, a satisfação do cliente/utente pouco lhes importa, porque daí não advém nenhuma consequência para eles, e para o seu salário. Este vício criou raízes e agora, qualquer tentativa de criar um maior dinamismo na função pública que incentive um "bom trabalho", terá a maior das resistências pelos funcionários instalados, que acaba sempre por ter um enorme repercussão através dos sindicatos, do BE e do PCP.
Por muito que se diminua a função pública (e uma vez que também ninguém a vai extinguir), é preciso também mudá-la, é preciso que que quem lá trabalhe sinta que o seu bom desempenho seja compensatório.
